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Porto Alegre, década de 50. Cidade provinciana. Moças e rapazes paquerando no footing ... na Rua da Praia, tradicional rua da cidade. Costumes conservadores, pais vigilantes. A missa de domingo, as conversas na praça.  Festas bem comportadas.

Para penetrar nessa redoma - além de relacionar o refrigerante à tradição, à família e ao Rio Grande - era preciso mais. A estratégia do Comendador foi ligar o refrigerante à vida social da capital gaúcha. Era preciso fazer da PEPSI® uma novidade constante, movimentar a cidade, entusiasmar as pessoas. As diversas promoções organizadas e patrocinadas pela empresa conseguiram conquistar definitivamente os gaúchos e fazer da PEPSI® uma moda que chegara para ficar. O rádio ainda era o principal meio de comunicação na época e os programas de auditório eram o grande sucesso. Um dos principais, O Serão da Dona Generosa, era patrocinado pela PEPSI-COLA®. O concurso Rainha do Rádio foi outra realização da empresa.

"Venha conhecer e ouvir o seu astro predileto"  foi uma promoção bem sucedida. A PEPSI® produzia shows e cobrava as tampinhas do refrigerante como ingresso. Cantores como Cauby Peixoto e as estrelas da Rádio Nacional®  - Dircinha Batista e Linda Batista - foram trazidos para Porto Alegre. Os shows aconteciam em estádios de futebol, e sempre havia grande público.

Atualmente, é tradição, todo o mês de dezembro, o Papai Noel descer de helicóptero em um estádio de futebol para desejar feliz Natal às crianças gaúchas. Pouca gente sabe hoje que o bom velhinho visitava os pampas já nos anos 50, trazido pela PEPSI®. As promoções da PEPSI® atingiam a qualquer idade e faixa social de público. Ainda para as crianças, a PEPSI® produziu livrinhos com gravuras para colorir e outras brincadeiras que eram distribuídos com outros brindes nas escolas. Além, é claro, de muita PEPSI-COLA®.

Outra grande novidade para a época era a campanha "tome outra grátis". Algumas tampinhas das garrafas de PEPSI-COLA® eram premiadas e davam direito a outro refrigerante de igual tamanho, em qualquer posto de venda. Os comerciantes tinham a garantia de reembolso da fábrica para cada refrigerante que entregassem em troca de uma tampinha premiada. O sucesso foi tanto que Heitor Pires investiu ainda mais nesse tipo de promoção. As tampinhas também passaram a oferecer bicicletas, rádios, automóveis e até apartamentos. Contam que vem dessa época o costume do gaúcho de verificar cada tampinha de refrigerante ao abrir uma garrafa, mesmo quando nenhuma campanha deste tipo esteja sendo veiculada. A divulgação da campanha só foi veiculada uma vez, pois a aceitação foi tanta, que não foi mais preciso investir na promoção.

A PEPSI-COLA® não cedia espaço para a concorrência. Quando uma campanha terminava, Heitor Pires já estava preparando a próxima. A "corrida dos garçons" foi outra promoção. Os garçons deveriam correr carregando uma bandeja com uma garrafa de PEPSI-COLA®. A competição ocorria no Parque Farroupilha, ponto conhecido de Porto Alegre. Os vencedores da prova ganhavam diversos prêmios. Os garçons foram alvos de mais uma promoção da PEPSI®. A empresa oferecia um traje completo de trabalho ao garçon que arrecadasse mais tampinhas de PEPSI-COLA®. Dizem que, nessa época, os garçons atendiam os fregueses com uma garrafa de PEPSI® já aberta, uma tampinha na mão e várias no bolso...! Heitor Pires conseguia, de uma forma extremamente barata e simples, incentivar o consumo de PEPSI®, conquistando a simpatia e o empenho gratuito de quem mais próximo está do público de refrigerantes, além dos comerciantes. A PEPSI® se instituía como a bebida oficial dos jantares de família nos restaurantes e dos jovens frequentadores dos bares e lanchonetes.

As cores azul e vermelho não eram mais apenas símbolos das paixões futebolísticas gaúchas, o Grêmio e o Internacional. Azul e vermelho era a coqueluche da época, a marca do refrigerante que não era apenas da família mas de todo o povo rio-grandense. Essa era a imagem desejada por Heitor Pires e foi essa a fama que ele conseguiu para a PEPSI-COLA®.

o refrigerante era moda entre jovens e crianças. Os pais, por sua vez, assistiam a tudo com aprovação, bebericando aquele líquido preto, doce, que, afinal de contas, era uma bebida de família, tchê!

         ...E a Coca® corria atrás do que já era um prejuízo.


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