®

A Coca-Cola® gaúcha não estava preparada para a investida da PEPSI-COLA® no estado do Rio Grande do Sul. Já nas propagandas de lançamento, a PEPSI® atacava a concorrente alardeando o slogan 'Melhor Qualidade, Maior Quantidade, Mesmo Preço'.

A guerra entre as Colas no sul do Brasil estava travada. A PEPSI® se impunha como o refrigerante da família rio-grandense, aproveitando-se da imagem da Coca-Cola® de bebida da "juventude transviada". Enquanto o refrigerante do Comendador Heitor Pires se infiltrava nos colégios, nas festas de igreja e nos eventos da alta sociedade, os boyzinhos, as turmas que faziam pega nos fins de festa e os motoqueiros a la James Dean representavam a Geração Coca-Cola. E nesse combate de valores e consumidores, a PEPSI® saía na frente!

Desde a inauguração da fábrica, a PEPSI® inovava constantemente. As promoções que envolviam toda a cidade, as propagandas por todos os lados faziam da PEPSI-COLA® uma moda e o refrigerante preferido da gauchada. A Coca® copiava grande parte das promoções da concorrente, mas isso garantia apenas o posto de segundo refrigerante no mercado gaúcho. Uma das idéias que a Coca® copiou da PEPSI® foi a transparência no engarrafamento do refrigerante na fábrica, mas isso não deu certo. Os gaúchos estavam habituados a assitir esse 'espetáculo', na PEPSI®. Era esta a empresa em que confiavam.

A concorrência entre os dois refrigerantes acirrava os ânimos dos funcionários das empresas. Na PEPSI®, os funcionários brigavam se algum colega ousasse tomar Coca-Cola®. Mas a briga não se restringia aos colegas de empresa: não era estranho que os funcionários de uma empresa discutissem ou brigassem com os empregados da concorrente. No auge da guerra entre as marcas rivais, PEPSI® e Coca® disputavam um bar para pintar o logotipo nas paredes da rua. Como o armazém era de esquina, cada pintor começou pintando o logotipo do seu refrigerante em um dos lados do bar. Quando se encontraram na esquina, na hora de ver qual logotipo seria pintado até o fim, os dois pintores acabaram brigando com tapas e socos.

Nesse clima, a PEPSI® assumiu uma postura literalmente agressiva: começava a guerra das garrafas. A PEPSI-COLA® aceitava na compra do refrigerante cascos da Coca-Cola® também. As garrafas da concorrente eram, então, quebradas e vendidas para a Termolar®, empresa que reciclava vidros. Heitor Pires chegou a mandar que arrancassem e rasgassem os cartazes e anúncios da Coca que nunca revidava à altura.

A PEPSI® definia os rumos que a disputa pelo mercado iria tomar. A liberdade de Heitor Pires na escolha das estratégias de marketing que a empresa adotava era uma grande vantagem. O Comendador podia explorar os valores regionais, as características de seus consumidores e, assim, traçar as suas campanhas. A Coca® estava sempre esperando as instruções ou aguardando permissão da matriz para revidar as últimas investidas da concorrente.

Em uma das tentativas de recuperar o mercado, a Coca® lançou, copiando a promoção da PEPSI®, uma campanha de tampinhas premiadas com 50 mil cruzeiros, moeda da época. No dia seguinte, a PEPSI® colocou no mercado refrigerantes com tampinhas premiadas de 100 mil cruzeiros. Para reagir, a Coca-Cola® precisava das orientações de Nova Iorque, o que demorava semanas. Mais uma vitória para o Comendador que dispunha de liberdade para agir de forma imediata e de acordo com a necessidade do momento.

Cientes das derrotas sucessivas, houve quem perguntasse na Coca-Cola®, o que se poderia fazer para quebrar a hegemonia da PEPSI®, no Rio Grande do Sul. A resposta veio rápida: só se o Comendador passasse para o lado inimigo!


© COPYRIGHT 2017 - Webmaster - Fernando Basto