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Os gaúhos não vivem apenas de churrasco, cancha reta e chula. As unanimidades nacionais, carnaval e futebol, também valem para o Rio Grande do Sul. Já nos anos 50, Heitor Pires sabia como tirar proveito dessas paixões do povo e associar as preferências populares com o produto PEPSI-COLA®.

Um dos melhores lances da PEPSI® para popularizar o refrigerante foi investir no carnaval. A partir do início da década de 60, os blocos de carnaval de Porto Alegre começam a virar escolas de samba, com o surgimento da Praiana. Com a organização das escolas, em 1962, a capital gaúcha tem o 1º carnaval oficial da cidade. A PEPSI® já tinha um envolvimento mais antigo com o samba porto-alegrense. A empresa já patrocinava alguns blocos de carnaval, comprando instrumentos e colaborando na confecção das fantasias. Com a criação das escolas, a PEPSI® manteve seu vínculo com os sambistas chegando, inclusive, a pintar muros das sedes, como foi o caso da Imperadores do samba.

Com a oficialização do carnaval, a prefeitura se responsabilizou pela festa. A capital gaúcha viveu, então, um conflito: a disputa entre a PEPSI-COLA® e o próprio prefeito para organizar o carnaval da cidade. A PEPSI® sempre ajudou nos desfiles carnavalescos que aconteciam no centro da cidade, na av. Borges de Medeiros. A empresa financiava as fantasias e os adereços dos sambistas e preparava a organização da passarela do samba. O visual da avenida era azul e vermelho, com propagandas da PEPSI® por todos os lados. O coreto oficial distribuía sanduíches e refrigerantes da empresa. Para completar esse espetáculo da PEPSI®, os blocos entravam na avenida cantando o jingle da empresa, e o Rei Momo desfilava bebendo o refrigerante.

Quando a prefeitura decidiu assumir a festa, a história ficou diferente. O prefeito de Porto Alegre, Loureiro da Silva, não aceitou as propagandas da PEPSI-COLA® no carnaval municipal e quis proibir a festa. A briga ficou entre o prefeito e o Comendador Heitor Pires. Os dois começaram a trocar provocações pelos jornais e pelo rádio. Loureiro da Silva chegou a se perguntar na rádio Guaíba®, uma das principais rádios da cidade, "o que este Comendador tampinha está pensando? Que vai transformar a minha cidade em uma Pepsicolândia"?.

A discussão só favoreceu o Comendador, pois o povo estava ao lado de Heitor Pires. E da PEPSI®. Heitor Pires era um Deus para as pessoas envolvidas com o carnaval e tinha a simpatia da sociedade gaúcha pelas várias promoções da empresa no estado. A PEPSI® era mais popular que a prefeitura. Para realizar a festa, Heitor Pires transferiu o carnaval da PEPSI® para a rua Eduardo Gomes, hoje Presidente Roosevelt. Foi um sucesso, com grande participação popular. Muito azul e vermelho e muita PEPSI® nas mãos, enchendo os olhos das pessoas.

Após o prefeito ter retirado o carnaval do centro da cidade, os carnavais de bairro, principalmente dos bairros Santana e Partenon, promovidos pela PEPSI®, cresceram muito. Os desfiles se tornaram muito movimentados. Anos mais tarde, quando a PEPSI® deixou de patrocinar esses carnavais, o movimento continuou. O mesmo não aconteceu com o carnaval do centro que perdeu grande parte da animação com a saída da PEPSI-COLA®. O retorno do investimento feito no carnaval foi muito grande. A PEPSI® ficou ainda mais conhecida e ganhou, definitivamente, a simpatia das classes populares. A imagem de Heitor Pires, totalmente associada à PEPSI®, conquistou grande prestígio. A partir daquele momento, a PEPSI® não era mais apenas o refrigerante da família rio-grandense, mas a bebida do coração de todos os gaúchos.

A festa ficou conhecida como carnaval da PEPSI® até mesmo pela imprensa da época. Reportagens sobre o carnaval chegavam a afirmar que a promoção feita pela PEPSI® para o carnaval era uma retribuição de uma 'empresa pioneira' ao apoio popular que havia conquistado. Além de estar nas ruas e de ter seu produto associado a mais popular festa do país, a PEPSI-COLA® ainda era notícia em revistas e jornais que circulavam pelo Rio Grande do Sul. O envolvimento da PEPSI-COLA® com o carnaval foi tão marcante que até hoje várias pessoas lembram com saudosismo dos bons tempos de Porto Alegre e dos inesquecíveis carnavais da PEPSI®.

Mas como o brasileiro, mesmo que use bombacha, não vive sem futebol, a PEPSI® também investiu nesse esporte. A principal promoção da PEPSI® nessa área foi a 'Dê um ônibus ao seu time'. O clube de futebol que juntasse mais tampinhas de PEPSI-COLA®, ganharia um ônibus equipado para delegações esportivas. Aproveitando-se da rivalidade entre as torcidas e da 'paixão clubística' dos gaúchos, o Comendador obteve um grande êxito. O ônibus, que seria entregue à torcida vencedora, passou pelas cidades do interior, motivando as pessoas a participarem da promoção. O número de tampinhas arrecadadas foi tão grande que era impossível contá-las. A solução foi pesar as tampinhas apresentadas por cada clube. O vencedor foi o Clube Esportivo Aimoré, do município de São Leopoldo, na grande Porto Alegre.

Outra promoção relacionada com o futebol patrocinava camisetas e excursões para os times. Quando o Brasil foi campeão da Copa do Mundo de 1958, Heitor Pires organizou a vinda da seleção brasileira para receber homenagens em Porto Alegre. O Comendador antecipava o recurso tão utilizado atualmente de vincular um produto a personalidades de sucesso e empatia junto ao público. Os jogadores foram recepcionados na fábrica da PEPSI-COLA® que estava toda enfeitada com bandeiras verde-amarelas. Autoridades, inclusive o governador do estado na época, Leonel Brizola, os funcionários da empresa e os seus familiares, comemoraram o título com os jogadores em um coquetel com PEPSI-COLA® à vontade. Heitor Pires cercava por todos os lados.

 


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