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Em 29 de julho de 1994, fechou a fábrica mais antiga da PEPSI-COLA® no Brasil, localizada na Av. Praia de Belas, em Porto Alegre. O prédio* virou um depósito da Brahma®, a maior cervejaria do país, que detinha a marca da PEPSI® no Brasil.

*NOTA: Atualmente (em janeiro de 2000), virou um (anexo) de estacionamento p/ carros, do Shopping Praia de Belas.

Desde que Heitor Pires saiu da PEPSI®, a empresa passou para o comando da PEPSICO® (Internacional), que cedeu a franquia à Brahma® em 1985. Durante nove anos, a Brahma® assumiu o engarrafamento e a distribuição do refrigerante até perder a franquia da PEPSI-COLA® no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Em dezembro de 1994, a nova responsável pela PEPSI® no Brasil foi a empresa 'Buenos Aires Embotelladora S.A.'® (Baesa). A empresa era comandada por Charles Beach, em ex-funcionário da Coca-Cola® que conseguiu um grande sucesso para a PEPSI® em Porto Rico. A partir de uma nova fábrica da PEPSI® no Rio Grande do Sul, em um município da grande Porto Alegre, Sapucaia do Sul, Beach iniciou mais uma fase na Guerra das Colas. A estratégia era atingir o mercado do Cone Sul através da posição vantajosa do Rio Grande e conseguir no Brasil, repetir o sucesso obtido nos pampas gaúchos. Embora há dez anos a Coca-Cola® liderasse o mercado do Rio Grande do Sul, este ainda era o estado em que a PEPSI® possuía a maior participação no consumo de refrigerantes no Brasil.

A ameaça de falência da Baesa® em 1997 redefine a situação da PEPSI-COLA® no Brasil. Em 02 de outubro deste mesmo ano, a Gazeta Mercantil® publicou uma pequena matéria sobre o acordo entre Brahma® e Baesa®. Segundo a nota, além de assumir uma parcela da dívida da "holding" - calculada entre U$ 350 e U$ 400 milhões - a Brahma® estaria disposta a pagar U$ 150 milhões em dinheiro pelas unidades da engarrafadora no Brasil, responsáveis pela colocação de 08 milhões de hectolitros de PEPSI-COLA® por ano.

No final de outubro, a Brahma® e a Baesa® fecharam o acordo de venda.

Com o fechamento da fábrica da avenida Praia de Belas, na capital gaúcha, termina uma história inédita no mundo: a única vez em que a PEPSI® venceu a Coca-Cola® por mais de 20 anos. Fica na história da PEPSI® este capítulo inédito na Guerra das Colas, quando a empresa conseguiu virar o jogo e conquistar um mercado que já era dominado pela concorrente. Os únicos locais em que a PEPSI-COLA® controlava o mercado de refrigerantes, eram os lugares onde a empresa foi pioneira, conquistando os consumidores antes da entrada da Coca-Cola®. Porto Alegre é, portanto, símbolo de um tempo aúreo para a PEPSI® e cenário da façanha de um português que hoje não é reconhecido.

Os vidros do prédio na avenida Praia de Belas não são mais a atração que eram nos anos 50 e 60, quando ali se reuniam curiosos para ver o refrigerante da família rio-grandense sendo engarrafado. Hoje, atrás das grades da fábrica da PEPSI®, em Sapucaia, só funcionários circulam apressados.

Quase nenhum funcionário da PEPSI®, com exceção dos mais antigos, sabe quem foi Heitor Pires e o que ele fez pela empresa. Os que não ouviram falar no nome de Heitor Pires devem estranhar o fato de muitos gaúchos ainda beberem PEPSI-COLA® com devoção a um produto nativo. Quem desconhece a história do Comendador, não deve entender porque o Rio Grande do Sul preferiu por tanto tempo a PEPSI-COLA® e continua sendo o melhor mercado desse refrigerante no Brasil.

A herança de um português que deixou sua marca na Guerra das Colas e fez de Porto Alegre um marco na história da PEPSI® persiste ainda hoje!

 


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