Comendador Heitor Pires

"Quando ingressei na redação do CORREIO DO POVO® lá pelos idos de 1947 já não encontrei Heitor Pires. Formado em Direito, resolveu dar ênfase à nova frente que se abria para ele. Aquele negócio de jornalismo era muito bonito, mas não dava camisa para ninguém, pelo menos naquele tempo. Assim foi ser advogado em horário integral. Deu-se bem. Rico, não esqueceu o primeiro degrau. Virou mecenas da imprensa. Conheci-o nas enfadonhas assembléias de classe. Muito caxias, queria reformar os códigos e espichava os debates até o infinito.

Mas deve-se reconhecer suas boas intenções, sua sabedoria e perspicácia.

Enquanto isso, sua banca florescia e seus negócios prosperavam. Grande proprietário de imóveis, tinha um na rua Caldas Júnior, esquina Sete de Setembro que ia até a Siqueira Campos. Outrossim conseguiu a concessão da PEPSI-COLA®, que debutava no Brasil e em pouco tempo estava faturando mais que a Coca-Cola®, até então a primus inter pares. Inventou promoções, sorteio, quermesses, grandes lances de marketing, enfim, até então desconhecidos. Culminou com o patrocínio do carnaval de rua de Porto Alegre.

O atilado empresário adorava também certas coisas que não apresentavam qualquer finalidade lucrativa, como o hospital da Beneficência Portuguesa®. Eleito Presidente da sociedade, faria expediente diário e prolongado. Após dar conta da rotina administrativa, com o zelo de um funcionário crente, ia inspecionar as instalações hospitalares e visitar os enfermos, dos mais humildes aos mais abastados.

Comendador Heitor Pires: o Rio Grande te é grato em muitos campos."

 

(Por Antônio Carlos Ribeiro - jornalista)



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